quarta-feira, 26 de maio de 2010

Até um dia...

Jesualdo Ferreira já não é treinador do F.C. Porto. O contrato entre as duas partes foi rescindido esta quarta-feira, poucas horas após o regresso de Pinto da Costa à Cidade Invicta... Chegou oficialmente ao fim uma história de sucesso, que termina com um convite recusado pelo Professor... Não quis ser director técnico porque pretende continuar a treinar. Agora é só esperar pelo senhor que se segue no banco e o também pelo novo director técnico... Pois se Jesualdo rejeitou o convite, outra pessoa terá que assumir o lugar, senão poderá ser entendido que o convite foi apenas para encher chouriços...

As declarações

Pinto da Costa: «Ao fim de quatro anos em comum, entendemos que necessitávamos de alterar o modelo do nosso futebol e propusemos ao mister Jesualdo Ferreira a troca do cargo de treinador da equipa principal pelo de director técnico de todo o futebol do FC Porto. Após uma conversa franca, todavia, fez-nos sentir que deseja treinar mais dois ou três anos, o que percebemos e aceitamos, face à paixão que sempre demonstrou pela profissão. Assim sendo, e tendo em conta o conhecimento que tem da nossa estrutura e do nosso projecto, este momento não constitui uma despedida, mas sim um “até quando quiser!”. Foi isso, de resto, que fizemos questão de lhe sublinhar.»

Jesualdo Ferreira: «Depois de quatro anos vividos de forma intensa, entendendo as regras de jogo em que treinadores e clubes se movimentam e tendo em atenção o facto de o FC Porto ter tido, pela primeira vez na história, o mesmo treinador durante quatro anos, concluímos, em conjunto, que seria melhor terminar a nossa ligação. Desta forma, o clube pode ter a liberdade que lhe assiste de configurar o seu futebol com ideias diferentes. A minha saída do FC Porto pautou-se pelos mesmos princípios com que entrei no clube. Poderão parecer palavras de circunstância, mas quero deixar aos adeptos do FC Porto, em primeiro lugar, o meu sentido respeito pela forma apaixonada com que os senti ao longo destes quatro anos. Tiveram uma participação decisiva em tudo o que alcançámos. Quero também expressar a gratidão pela administração e, em especial, pelo presidente. Creio que essa gratidão se notou em todos os comportamentos que tive no FC Porto. Sem poder cumprimentar pessoalmente todas as pessoas que comigo colaboraram directa ou indirectamente, quero deixar a todos um forte abraço. Em relação a todos os departamentos como comigo trabalharam no dia-a-dia, as palavras que melhor retratam são: obrigado pela competência! Finalmente, os jogadores… Durante quatro anos, partilhámos grandes alegrias e alguns, poucos, momentos infelizes. Guardo de todos o sentimento do dever profissional e do espírito de equipa que dedicaram ao FC Porto. A todos eles e àqueles dos quais não tive oportunidade de me despedir quero dizer que vou ser um treinador e uma pessoa que irá seguir as suas carreiras. Desejo-lhes a maior sorte do Mundo. Pegando nas palavras do presidente na altura da despedida, também eu sinto poder dizer que estarei sempre disponível para o FC Porto.»

Mais uma vez, obrigado e até um dia.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Fim de um ciclo... de sucesso!

No dia em que comemora 64 anos e quando já falta muito pouco para se anunciar o seu final de ciclo como treinador do FC Porto, impõe-se (mais) um agradecimento pelo trabalho desenvolvido ao longo destes 4 anos... de sucesso!
Chegou ao Porto, numa altura conturbada depois da saída repentina de Adrianse, dias antes do primeiro jogo oficial da época da época 2006/2007. Veio sem curriculum mas com alguns créditos devido ao bom trabalho que havia realizado, essencialmente, no Braga, no entanto trazia com ele um rótulo avermelhado que deixou muitos portistas de pé atrás...
Com o passar do tempo, percebeu o Porto (que conhecia por fora há muitos anos), abraçou a nossa causa e defendeu esta "dama" como se fosse a sua de sempre. Nisso ninguém lhe pode apontar o dedo, pois muitas vezes foi ele sozinho a dar o corpo às balas e a defender o Porto como ninguém! Deu sempre a cara, inclusive quando as coisas correram mal e deu sempre o máximo de si em favor do Porto.

Teve a difícil tarefa de pegar numa equipa já feita, habituada um esquema táctico diferente do habitual em Portugal e teve, todos os anos, que ultrapassar saídas de jogadores importantes, vendo-se obrigado a reconstruir equipas ano após ano. Embora sempre amarrado ao mesmo sistema táctico, teve sempre êxito nessa difícil tarefa, exceptuando este ano porque se viu privado da sua peça mais importante ao logo dos anos: Lucho Gonzalez.

Quanto à estatística, sairá do FC Porto com 6 títulos ganhos em 4 anos. Este feito que para nós é normal, para outros seria um feito histórico. Foi bom, mas também achamos pouco, porque não esquecemos que perdeu 12 títulos… o adepto Portista quer sempre mais e mais, pois felizmente está mal habituado.

Em 188 jogos ao serviço do Porto venceu 126, mas recordo o medo com que enfrentou os jogos grandes desde que chegou ao clube e os resultados ficaram à vista: em 41 jogos considerados grandes, venceu 11, empatou 12 e perdeu 18. Para um clube com a grandeza do Porto é um saldo extremamente negativo e muitas dessas derrotas custaram-nos troféus. Em muitas dessas derrotas houve erros do Professor, desde a disposição da equipa em campo até à escolha de jogadores. Várias vezes, também depois dos jogos a análise não era a melhor e via coisas onde mais ninguém tinha visto. Algumas destas derrotas foram as maiores humilhações dos últimos anos, mas que fique claro que não recai apenas sobre Jesualdo a culpa de tudo isto.

Foi, por vezes, evidente a falta de pulso e a falta de capacidade motivacional, mas também temos de reconhecer que, entre outros, valorizou jogadores como Cissohko, Quaresma, Lucho, Lisandro e Falcao.

Ao sair este ano, não será apenas por não ter ganho, pois no ano passado a vencer já ia sair. Sai porque é evidente o desgaste desta relação duradoura com o clube, adeptos e administração. Como defendi na altura, devia ter saído depois da derrota de Alvalade, porque ainda íamos a tempo de fazer melhor e essencialmente preparar a nova época. Ficou até final para sair a vencer. Conseguiu, mas mais uma vez ficou evidente na final da Taça que precisamos de sangue novo.

E pronto, se como prenda de anos se tiver a rescisão de contrato, levará um milhão no bolso o que não se pode considerar nada mau...

Obrigado Professor. Há um lugar para si na história do clube. Só tem motivos para sorrir.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Valeu tudo!

Depois de, no ano passado em pleno estádio da Luz, um adepto lampião ter entrado pelo campo dentro e agredido o árbitro assistente, este ano o caso mudou de figura e afigura-se bem mais grave.
Sabe-se que no ano passado, apesar de aquela atitude ter sido punida apenas com uma multazita e com a suspensão por uns mesitos do lampião em causa, foi um acto isolado e foi algo que não resultou em anda porque acabaram bem longe do primeiro lugar… como de costume. Por isso, este ano havia que inovar e fazer valer tudo para que se conseguisse o tão ambicionado/encomendado título.

Depois das emboscadas preparadas nos túneis, depois de castigos inflacionados em 15 jogos, sabe-se agora que durante oito meses, repito 8 meses, adeptos do clube que venceu o título ameaçaram árbitros. A estes episódios não deve ser alheio o facto de os lampiões terem jogado um terço do campeonato em superioridade numérica e terem beneficiado de penaltis muito duvidosos...

A notícia:
"Nove adeptos benfiquistas, mas sem que haja elementos que provem a ligação de qualquer deles a claques ou instruções dadas pelo clube, foram constituídos arguidos pela Polícia Judiciária (PJ), por suspeita de injúrias, coação e ameaças sobre quatro árbitros durante os últimos oito meses.

Jorge Sousa e Vasco Santos, ambos da AF Porto, são dois dos quatro árbitros que foram alvos de ameaças de morte, bem como as respectivas famílias.

Fonte da PJ referiu à Agência Lusa que por agora, não há indícios que levem a Polícia a considerar que se tratam de elementos de claques organizadas, com instruções do próprio clube. Mas as investigações prosseguem.

Os factos ocorreram por ocasião de vários jogos do Benfica a contar para o último campeonato e foram os próprios árbitros que os denunciaram à PJ, no que foram secundados por Hermìnio Loureiro, ao tempo presidente da Liga, que denunciou ocaso em encontro com o director nacional da PJ.

As ameaças foram feitas por chamadas anónimas feitas de telemóvel, por sms e por e-mail, tendo a PJ feito nove buscas domiciliárias em Rio Tinto, Paredes, Tondela, Lisboa e Ponta Delgada, nas quais apreendeu 11 telemóveis, três computadores, vários suportes físicos com registo de dados informáticos e documentos. Os arguidos foram sujeitos a Termo de Identidade e Residência, a mais ligeira medida de coação."


Mas claro que tudo isto teria outra repercussão se esses adeptos fossem do Porto. Por exemplo a Bola nem faz disto notícia; o Record inventa que são adeptos dos 3 grandes, quando ontem apenas se falava de "um clube de Lisboa", tendo sido revelado mais tarde que eram apenas lampiões; os telejornais não abrem com essa notícia, nem fazem directos na PJ... normal!

Por estas e por outras ninguém me digaque só falam de uns e outros porque vendem mais. Não tem nada a ver com isso, pois trata-se apenas de parcialidade jornalística e de tentativa de branqueamento de factos...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O balanço da época

Chegou ao fim mais uma época, a qual não satisfez os adeptos do FC Porto pelo simples facto de que estamos mal habituados. Mas é bom estar mal habituado, é bom ganharmos dois troféus e não nos darmos por contentes, quando para outros era motivo para um grande festão... Queremos sempre mais, temos uma ânsia de vencer que não conseguimos controlar e é isso que nos torna diferentes.

As Taças
Vencemos a Taça de Portugal e a Supertaça, mas é bom que não nos esqueçamos que não fizemos mais do que a nossa obrigação, até porque defrontamos dois adversários muito mais fracos: Chaves e Paços de Ferreira. Pelo caminho até à final da Taça, apenas um jogo que podia causar dificuldades: no Dragão contra o sporting, no qual fizemos um dos melhores jogos esta época e vencemos por uns esclarecedores 5-2, que podiam ter sido bem mais. Pelo meio, nas outras eliminatórias, não esquecemos a deslocação a Belém, na qual só passamos depois de 20 e tal penaltis...

A Champions
Fizemos uma boa campanha na fase de grupos, embora tenhamos perdido duas vezes com o Chelsea, o que se pode considerar normal dadas as diferenças de planteis, mas nesses jogos tudo fizemos para merecer melhor sorte. Mas nos oitavos de final, depois de termos vencido o Arsenal no Dragão por 2-1 ir a Londres e levar 5, da maneira que se viu, foi uma humilhação sem igual... e saímos sem brilho desta prova com a honra e dignidade mal tratadas.

O Campeonato
Mas foi o campeonato que deixou muito a desejar... Não se pode admitir, nem achar normal ficar em 3º lugar (fora da Champions) e atrás do Braga. Uma equipa com um orçamento umas dez vezes inferior ao nosso e, inclusive, com jogadores dados e emprestados por nós. É inadmissível! Exibições como a da Madeira, Alvalade e Luz são mesmo para esquecer! Mas eu não esqueço porque foram mesmo muito más e custou-nos, quem sabe, o título...
Em Alvalade assisti, ao vivo, à maior humilhação de que tenho memória a par de uns 0-4 do Nacional em pleno Dragão. Foi miserável demais para ser verdade e ninguém dignificou a camisola e história do clube. Nessa altura defendi a demissão de Jesualdo Ferreira, para que viesse um novo treinador que pudesse logo desde aí preparar a próxima época e ainda nos fazer acreditar nesta. Mas Jesualdo ficou e, agora que tudo acabou, não percebo porquê... Mais importante que lhe proporcionar uma saída digna (que merece, com a vitória na Taça), era preparar logo época que aí vem, como aconteceu no tempo do Mourinho e com os resultados que conhecemos...

Os túneis tiveram alguma influência, tanto mais que desde que Hulk voltou ganhamos todos, mas todos, os jogos. E ter um jogador importante 15 jornadas ilegalmente de fora, condiciona qualquer equipa. A juntar a isto, as lesões de Varela e Rodriguez também não ajudaram em nada. Não esqueço também a forma como perdemos pontos com Belenenses, Paços e Leixões, pois existiram 3 golos mal anulados e penaltis por assinalar... Quanto ao campeão (deste ano), jogou melhor, mas é mais fácil jogar melhor e marcar mais golos quando se joga um terço do campeonato contra 10 e quando se beneficia de penaltis duvidosos e expulsões perdoadas...

Os jogadores
Nesta época ficou mais evidente que há jogadores que não têm qualidade para jogar no FC Porto. Se não fazem a diferença e são apenas mais uns, então não estão cá a fazer nada... Refiro-me a jogadores como Tomas Costa, Valeri, Belluschi, Mariano que custaram milhões e estão a tirar o lugar a jovens portugueses formados no clube.
Dos reforços, aproveitaram-se Alvaro Pereira, Varela, Beto, R. Micael e Falcao - o expoente máximo do chegar, ver e vencer. Quando se tem qualidade não se precisa de tempo nem de adaptações aos processos... Penso que estes jogadores referidos, juntamente com Fernando, com o surpreendente Guarin, Nuno A. Coelho, e claro Hulk mais um ou outro reforço poderão ser a base do sucesso da nova época.

Se Bruno Alves, Meireles e Fucile quiserem "melhores condições de vida" é favor abrir-lhes a porta, isto se baterem bom dinheirinho por eles. Se houver um clubezito da Rússia que queira um Helton ou Rodriguez também eram hipóteses a considerar...

O treinador
Parece que chegou ao fim o seu ciclo no clube e analisando friamente o seu trabalho, tem que se dizer que foi um ciclo de sucesso. Em 4 anos conquistar 3 campeonatos, 2 Taças e uma Supertaça não é para todos e só se espera que o senhor que se segue consiga o mesmo. Foi sempre um defensor do Porto e nunca calou a sua revolta para o exterior, sendo aqui que lhe reconheço o maior mérito. Mas não esquecemos a falta de capacidade de motivação, que ainda agora na Final da Taça pudemos assistir. A seu tempo, caso seja efectivamente demitido como se diz e se pensa falarei mais sobre o Professor, mas desde já o obrigado pela dedicação, profissionalismo e pelos títulos.


Venha a próxima época e as vitórias à FC Porto...

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A 15ª Taça de Portugal

Dia de Final da Taça de Portugal, a chamada "festa do Futebol", mas apenas quando os intervenientes são outros... A pessoa mais desligada do futebol, nem sabia que Domingo era dia da Final da Taça, mas saberia que em Timor reinava o maior festão devido à presença de um ou outro lampião. Meus caros, é por estas e por outras que se canta o "FDP SLB" que muitos não gostam e não entendem. Mas afinal que país é este que tem uma comunicação social completamente parcial? Ainda hoje, no dia seguinte à vitória do FC Porto têm a lata de fazer manchete sobre um jogador que está prestes a transferir-se para o mais recente Asilo Clube de Portugal...

O jogo, não foi tão fácil como se esperava. A confiança na vitória do FC Porto era inabalável, mas o que não se esperava era vencer apenas por um golo de diferença, tanto mais que o Desportivo de Chaves acabava de ser despromovido da 2ª Liga... A missão era fácil de cumprir, mas foi por culpa própria que não se conseguiu mais e melhor. O onze teve apenas uma surpresa, com Helton a jogar no lugar de Beto e, logo nos minutos iniciais, esta aposta ia sair furada, quando numa paragem de relógio do nosso guarda-redes o Chaves quase inaugurava o marcador... O jogo estava entre o fraco e o fraquinho e para isto muito deve ter contribuído o mau relvado e o excesso de confiança dos nossos jogadores. Mas depois do susto, foi a vez de o Chaves errar e de Guarin não perdoar. Mau atraso e o colombiano galgou desde o meio campo até à área e já no interior desta rematou cruzado para o golo. Foi este o despertador do Porto que daqui para a frente fez desta primeira parte um jogo com sentido único. Começou a aparecer Hulk que voltou a ser incrível nas suas arrancadas, bem como no desperdício. Foram 3 ou 4 vezes que apareceu na cara do guarda-redes adversário e só numa teve sucesso... quando decidiu passar a Falcao que se limitou a encostar para o 2-0. Estava resolvida a questão e só se pensava na goleada que estava para vir... O chaves ficou meio à deriva, com a excepção de um avançado possante (Diop) que ia dando trabalho à nossa defesa.

A segunda parte, quase não teve história. O Porto entrou a dormir e sem vontade de fazer mais. Não impôs ritmo e limitou-se a trocar a bola (por vezes mal) mas longe da baliza do Chaves. Não se percebe o porquê desta falta de vontade, apesar do resultado estar feito, não se deviam esquecer que foram 20 mil os adeptos que se deslocaram a Oeiras para ver futebol... Com esta falta de atitude, não foi de estranhar o golo do Chaves a 5 minutos do final, na sequência de um erro de Rolando e B. Alves que tal como o resto da equipa estavam apenas à espera do apito final... O Chaves ainda acreditou, mas felizmente o tempo já não era muito.

O mais importante foi conseguido, trazer a 15ª Taça de Portugal, numa vitória sem brilho mas, apesar daquela segunda parte, foi mais do que merecida. Parabéns ao Porto e também ao Chaves e aos seus adeptos que apesar das dificuldades (distância e custos) se deslocaram também a Oeiras. Registo para o aplauso de todos os Portistas presentes à equipa adversária e para a pouca efusividade na festa da vitória, pois as Taças "sozinhas" não nos satisfazem, só com o campeonato ao lado têm mais valor.

Terminou uma época em que apenas conquistamos dois títulos. Terminou um ciclo que se espera seguido de outro já com início no próximo ano, espera-se. Como também se espera que os jogadores que não têm qualidade e/ou vontade para representar o Porto que sigam a vida deles, porque estão no seu pleno direito.

nota: carros e autocarros de adeptos do FC Porto e do CD Chaves foram apedrejados à saída de Oeiras, no entanto, esse facto não teve a mesma repercussão que tiverem incidentes similares ocorridos na semana passada... apenas porque mudaram as cores dos intervenientes, que neste caso nem sequer tinham nada a ver com esta final da Taça. A violência não tem nenhuma cor, mas para comunicação social tem muita...

terça-feira, 11 de maio de 2010

O Senhor Porto

[Revista Focus]: Os êxitos do FC Porto devem-se à existência de alguém que explique o que é o clube?

[Vítor Baía]: Não tenham dúvidas. O meu único receio e medo é que se descaracterize isto por uma conjuntura actual do futebol mundial, de irmos buscar jogadores de todo o lado e sem qualquer tipo de problema, principalmente da zona europeia, e isso compromete este acompanhamento, porque são os jogadores portugueses que transmitem o que é ser jogador do FCP. A tal mística é difícil de explicar, só mesmo assistindo. A forma como explicamos o que é ser do FCP, que é realmente diferente, o que é ganhar, atitude, agressividade q.b., o facto de gostarmos do clube como se ele fosse nosso. E era isso que passava aos outros e conseguia. A ideia de vamos defender isto como se fosse nosso. Isto é o nosso castelo, aqui ninguém entra. E espero que não se perca. Isto só se consegue com os valores portugueses, porque nós contagiávamos os jogadores que vinham, como Aloísio, Kostadinov, Deco, Lucho e Derlei. E posteriormente, o Derlei já contagiava toda a gente. E não nasceram aqui. Se deixarmos de explicar o que é isso... Esse é o meu único receio e espero que nunca se perca essa identidade.


Pois é Vítor, infelizmente, com o passar dos anos, temos assistido a uma redução drástica dos jogadores à Porto no nosso plantel. Já nem se houve falar da tal mística e poucos sabem o que é ser um jogador à Porto. Um jogador «à Porto», tem que obrigatoriamente personificar a luta, a garra, a determinação, a força, a vontade de vencer que foram, são e serão uma eterna bandeira do FC Porto. Tínhamos equipas constituídas por 5 ou 6 jogadores dessa classe e agora resta-nos Bruno Alves como o último exemplar dessa quase extinta espécie... Sinais dos tempos ou estratégia do clube que prefere sul-americanos? Que se olhe para as equipas dos nossos grandes êxitos, não muito distantes, e se veja de que massa eram feitas...

O que me preocupa é o dia de amanha... Repare-se que até o nosso último jogador à Porto, Bruno Alves está de malas aviadas. Por um lado é bom, pois deixamos de ouvir o Pai dele falar todos os dias e dizer que está na hora. Se é essa a sua vontade, então que vá, obrigado por tudo e que seja feliz. Mas quem é que fica cá para transmitir o que é o Porto? Quem é o próximo nº2? Ainda se usa isto ou também a mítica camisola vai acabar ou vai ser entregue a um qualquer?

Felizmente ainda há no clube alguém que pensa como nós... O grande e eterno Vítor Baía! O nosso maior símbolo.

VÍTOR, NÃO DEIXES QUE A IDENTIDADE SE PERCA! Pena que estejas (muito) mal aproveitado... Mas não espanta, pois nem uma homenagem (merecidíssima) te fizeram... Não me parece que representar o clube em sorteios seja um lugar condizente com a tua grandeza...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Fim da luta desigual...

Último jogo, nova vitória. O jogo em Leiria não servia apenas para cumprir calendário. Estava a honra e a dignidade em causa e havia que fazer de Falcao o Rei dos marcadores. Missão cumprida, apesar de termos entrado tarde no jogo. O Professor decidiu poupar Bruno Alves e Meireles, sem que se perceba muito bem os motivos... Terá sido para dar-lhes descanso em vésperas do jogo da Taça contra o fortíssimo Chaves ou para dar lugar a outros? Nos seus lugares apareceram Valeri (nem o vi) e Nuno A. Coelho que, infelizmente, teve que esperar pelo último jogo para se estrear no campeonato...

Acordamos tarde para o jogo e só na segunda parte se viu que era o Porto que estava em campo. Saímos para o intervalo a perder e sem quase nada ter feito para merecer outro resultado. Na segunda parte demos a volta ao marcador, com os golos de Guarin, Falcao (2) e Rodriguez. Um resultado se calhar exagerado tendo em conta o futebol praticado, mas registe-se este final de época do Porto com muitos golos. Facto que não deverá ser alheio ao regresso de Hulk, o tal que esteve castigado 15 jogos a mais...

Falcao, voltou a bisar. No entanto, como o lampião Cardozo, sem saber como, também marcou dois golos o prémio oficial foi para ele. Mas para nós é Falcao o Rei dos marcadores, pois viu serem-lhe anulados 4 golos esta época... até nisto a luta foi desigual. Oficialmente, em 28 jogos, marcou 25 golos, mas todos sabemos que foram 29... um fantástico registo para quem chegou apenas este ano. São 33 golos contabilizados em jogos oficiais, estando apenas a 2 de igualar Mário Jardel, que marcou 35 no ano de estreia...

E chegou ao fim mais um campeonato, que desta vez não foi ganho por nós. Numa luta desigual, o campeão foi a equipa que talvez até tenha jogado melhor, mais isto porque jogou mais de um terço de campeonato em superioridade numérica face às expulsões de jogadores adversários. Foram 17 no total os adversários expulsos e a juntar a este facto não nos esqueçamos de penaltis caídos do céu e várias expulsões perdoadas... assim é mais fácil jogar melhor... Um campeonato que, digam o que disserem ficará marcado pela injustiça, pois ninguém sabe como tudo isto seria se Hulk tivesse jogado os 15 jogos que ficou de fora por castigo... ilegal! O que sabemos é que desde o seu regresso, o Porto venceu todos os jogos...

Resta-nos fechar a época de azul e branco e trazer de Oeiras a Taça de Portugal.

Para o ano há mais. Mais Porto, espera-se... e ao que parece com muita tranquilidade...